sábado, 23 de junho de 2012

Mangues do Rio Grande (III)


O MANGUEZAL E SEUS SORTILÉGIOS

Por
Dorian Gray Caldas

Temos agora, do artista, fotógrafo, documentador Fernando Chiriboga, mais uma obra de arte, mais um livro que enriquece o patrimônio dos nossos registros culturais e artísticos: o manguezal. “Verde que te quero verde”. Compacto e complexo com a sua biodiversidade natural, de indescritíveis atalhos, galharias densas, fauna e flora próprias da sua natureza marinha, nas reservas que proporcionam as vidas obscuras dos seus usuários: moluscos, caranguejos, peixes, camarões. O sustento e a sobrevivência, o social e o comércio na reserva do seu criatório.

Fernando Chiriboga, com sua larga competência, registra, documenta, revela e enobrece esta biosfera marítima com seus ensaios fotográficos, com seu olho de poeta à semelhança de Saint-John Perse, o escritor do mar. Fernando Chiriboga conhece os sortilégios marinhos da nossa costa atlântica: Curimataú, Cunhaú, Potengi, Papeba, Guaraíra, Apodí, Guamaré, Galinhos. A vida de nossas marés. 

Fernando Chiriboga, com a sensibilidade que Deus lhe deu, fez também a redescoberta de nossas matas potiguares, seus encantos e complexidades, o Seridó e o Sertão de outros tempos e outros ancestrais, que nos olham do retrato. “Como dói”. As ondas e os ventos, as caiçaras dos rios gerais. Sítios arqueológicos, inscrições rupestres, a mão dos nossos antepassados, presença humana apontando para o futuro, o sangue ingênito da seta do guerreiro, a vida virtual que veio de longe, como um registro de aviso do Eclesiastes; a temporalidade humana.

Esse andino de voos altos, asas de albatroz, faz o difícil resgate, vontadoso e independente, viajando e interagindo, documentando e redescobrindo velhas tradições de nossas particularíssimas idiossincrasias. Margeando nosso litoral, diante destes jardins de manguezais do Atlântico nos permite a certeza da permanente eleição do seu talento.                                                                                
                                                                         
 Garça-branca

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