sábado, 23 de junho de 2012

Mangues do Rio Grande (IV)


 É PRECISO PROTEGÊ-LOS, RESPEITÁ-LOS, PRESERVÁ-LOS 
Por
Leila Medeiros de Chiriboga

Mangues. Árvores da família das rizoforáceas que compõem a vegetação natural da floresta de manguezal, nativas de regiões tropicais das Américas, da África e da Ásia, em áreas alagadas pelas marés. Em suas copas, muitas espécies de aves nidificam, procriam, alimentam-se, descansam. São garças, socós, martins-pescadores, bem-te-vis, maçaricos...  

As árvores de mangue ocupam os ambientes aquáticos costeiros de estuários, lagoas e lagos, nas faixas entre marés, e determinam uma dinâmica de fixação de sedimentos com alto percentual de matéria orgânica. O manguezal é, portanto, uma comunidade altamente produtiva, um dos ecossistemas mais biodiversos do planeta, onde se aloja um grande número de espécies de seres vivos. Considerado berçário da vida marinha, esse bioma de incomparável beleza é um verdadeiro santuário ecológico para a reprodução de centenas de espécies de vida aquática. O manguezal garante-lhes alimento, proteção, condições de reprodução e crescimento, e é fonte de subsistência para inúmeras famílias de pescadores e marisqueiros, que catam espécies como caranguejos, sururus, siris, ostras e aratus. Os mangues contribuem para a sobrevivência de répteis e mamíferos, muitos deles integrantes das listas de espécies ameaçadas de extinção.

No Brasil, em toda a sua extensão, do Amapá a Santa Catarina, o manguezal constitui Área de Preservação Permanente (APP). Em solo brasileiro encontra-se a segunda maior área de mangue do mundo. Oitenta por cento estão no Nordeste. Contudo, apesar de protegido por lei, o ecossistema manguezal vem sendo devastado. Nos últimos anos, os manguezais brasileiros têm diminuído de forma significativa e alarmante.

 Mangue Canoé - Rio Ceará-Mirim

Ao longo do litoral potiguar, as florestas de manguezal distribuem-se em sete principais zonas estuarinas: Curimataú/Cunhaú, Nísia Floresta/Papeba/Guaraíra, Potengi, Ceará-Mirim, Guamaré/Galinhos, Açu e Apodi/Mossoró, além dos estuários pequenos como os dos rios Maxaranguape, Pirangi, Catu, Jundiaí, Guarapes e Camaragibe.

O Rio Grande do Norte é um dos estados do Nordeste com o maior índice de destruição desse bioma de valor inestimável. Os principais impactos ambientais identificados estão relacionados ao desmatamento dos mangues, à poluição dos estuários e lagoas e às atividades econômicas desenvolvidas na região. É certo que tais atividades são muito importantes para a economia e o desenvolvimento locais, pois são geradoras de emprego e renda. Mas é imprescindível que sejam realizadas de forma responsável, através de tecnologias sustentáveis, que garantam a preservação e a qualidade dos recursos ambientais, sendo também necessário que se promova a revitalização das áreas já degradadas.

Neste livro, Fernando Chiriboga busca retratar prioritariamente áreas ainda preservadas do manguezal potiguar. A beleza dos locais fotografados surpreende e emociona. E é essa a sua intenção: emocionar, revelar, sensibilizar, ressaltar a importância da preservação dos bosques de mangues remanescentes enquanto ainda há tempo.

Em sua riquíssima biodiversidade, os mangues nos dão vida, sustento, equilíbrio. Em justo reconhecimento, precisamos protegê-los, respeitá-los, preservá-los. Pelo bem de nós mesmos.

Mangues do Rio Grande (III)


O MANGUEZAL E SEUS SORTILÉGIOS

Por
Dorian Gray Caldas

Temos agora, do artista, fotógrafo, documentador Fernando Chiriboga, mais uma obra de arte, mais um livro que enriquece o patrimônio dos nossos registros culturais e artísticos: o manguezal. “Verde que te quero verde”. Compacto e complexo com a sua biodiversidade natural, de indescritíveis atalhos, galharias densas, fauna e flora próprias da sua natureza marinha, nas reservas que proporcionam as vidas obscuras dos seus usuários: moluscos, caranguejos, peixes, camarões. O sustento e a sobrevivência, o social e o comércio na reserva do seu criatório.

Fernando Chiriboga, com sua larga competência, registra, documenta, revela e enobrece esta biosfera marítima com seus ensaios fotográficos, com seu olho de poeta à semelhança de Saint-John Perse, o escritor do mar. Fernando Chiriboga conhece os sortilégios marinhos da nossa costa atlântica: Curimataú, Cunhaú, Potengi, Papeba, Guaraíra, Apodí, Guamaré, Galinhos. A vida de nossas marés. 

Fernando Chiriboga, com a sensibilidade que Deus lhe deu, fez também a redescoberta de nossas matas potiguares, seus encantos e complexidades, o Seridó e o Sertão de outros tempos e outros ancestrais, que nos olham do retrato. “Como dói”. As ondas e os ventos, as caiçaras dos rios gerais. Sítios arqueológicos, inscrições rupestres, a mão dos nossos antepassados, presença humana apontando para o futuro, o sangue ingênito da seta do guerreiro, a vida virtual que veio de longe, como um registro de aviso do Eclesiastes; a temporalidade humana.

Esse andino de voos altos, asas de albatroz, faz o difícil resgate, vontadoso e independente, viajando e interagindo, documentando e redescobrindo velhas tradições de nossas particularíssimas idiossincrasias. Margeando nosso litoral, diante destes jardins de manguezais do Atlântico nos permite a certeza da permanente eleição do seu talento.                                                                                
                                                                         
 Garça-branca

Mangues do Rio Grande (II)


MANGUES POTIGUARES
Vida e Marés

Por
José Roberto Bezerra de Medeiros

No ano em que celebra 50 anos de desenvolvimento das atividades de distribuição de energia elétrica no Estado do Rio Grande do Norte, a COSERN, alinhada às diretrizes de responsabilidade socioambiental e à política de sustentabilidade adotada pelo Grupo Neoenergia, ao patrocinar este projeto através da Lei Estadual Câmara Cascudo de Incentivo à Cultura busca incentivar a preservação da rica biodiversidade potiguar.

Os mangues do extenso e belo litoral do Rio Grande do Norte, captados pelas experientes lentes de Fernando Chiriboga, são apresentados em seu esplendor nesta obra. As belas imagens, enriquecidas com informações sobre espécies da flora e da fauna nativas, tornam Mangues Potiguares – Vida e Marés uma obra essencial. Paisagens esplendorosas, reveladas sob diversos ângulos, mostram as riquezas da biodiversidade e do ecossistema de zonas estuarinas potiguares como Curimataú-Cunhaú, Potengi, Ceará–Mirim, Nísia Floresta- Papeba-Guaraíra, Apodi-Mossoró, Açu e Guamaré-Galinhos.

Por meio desta obra, convidamos os leitores a conhecerem aspectos relevantes dos belíssimos manguezais potiguares, estimulando-os na formação de uma consciência de preservação ambiental tão necessária nos dias atuais.                                                      

 
 Aratus

Mangues do Rio Grande (I)


Fernando Chiriboga, fotógrafo do livro "Mangues Potiguares: Vida e Marés"

Rio da Casqueira - Macau/RN
Por Felipe Félix

(...)

Neste livro, Fernando Chiriboga retrata áreas ainda preservadas do manguezal potiguar. A beleza dos locais fotografados surpreende e emociona. E é essa a sua intenção: emocionar, revelar, sensibilizar, ressaltar a importância da preservação dos bosques de mangues remanescentes enquanto ainda há tempo.

Nascido em Quito, nos Andes equatorianos, Fernando Chiriboga reside no Brasil desde 1985. Fotógrafo, designer gráfico e artista plástico, ao longo de sua carreira têm conquistado vários prêmios. Apaixonado por fotografia de natureza, aventura e paisagens urbanas. Já lançou "Luzes da Cidade", seu quinto livro,  “Matas Potiguares – Natureza e Surrealismo”, “Praias e Dunas – Rio Grande do Norte”, “Seridó – Paisagens de um Sertão Encantado” e “De Ondas e Ventos – Potiguares na imensidão do mar”.

Rio Piranhas-Açu

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Rio_Piranhas-A%C3%A7u_-_RN.jpg

Bandeira de Macau (Rio Grande do Norte, Brasil)



Macau é um município brasileiro no estado do Rio Grande do Norte, localizado na microrregião de Macau, na Mesorregião Central Potiguar e no Polo Costa Branca. Macau possui uma área territorial de 788 km² e está localizada a 175 km da capital do estado, Natal.
O município de Macau está numa região produtora de sal marinho (uma das principais do Brasil), petróleo e de pescados, sendo um dos maiores produtores nacionais de sardinha. Macau é bastante conhecida na região por seu carnaval, o que atrai visitantes de quase todo o estado do Rio Grande do Norte.
A cidade tem suas origens no início do século XIX, quando ainda era conhecida por Ilha de Manoel Gonçalves - região já colonizada para a produção de sal. Seu nome atual deriva  de A-man-gao (''baía de Ama''), expressão chinesa que deu o nome à então colônia portuguesa de Macau, hoje parte da China. Macau, no Rio Grande do Norte, também foi baptizada com esse nome em razão da sua localização geográfica na foz do Rio Piranhas.

Na área literária, desde 1998, foi fundado um movimento  cultural e literário  denominado ICEC — Imperial Casa Editora da Casqueira — movimento este idealizado pelo sociólogo, poeta e escritor Benito Maia Barros, que faleceu em Dezembro de 2010, na casa dos cinquenta anos. Além das obras do próprio fundador, onde o pesquisador ou até mesmo leitores podem encontrar traços da história de Macau através de falares e lugares do povo daquela cidade, serve também esta obra como fonte de pesquisa. A ICEC surgiu como forma de superação da falta de incentivo governamental às obras literárias; já foram lançados mais de quinze livros, entre prosa, contos, poesias e história. É um dos maiores movimentos literários do Rio Grande do Norte.

Poetas/Escritores: Vicente Serejo; Gilberto Avelino - In Memorian (radicado em Macau, nasceu na cidade do Assú);João Vicente Barbalho; Alfredo Neves, - Radicado em Macau, nasceu na cidade de (Teófilo Otoni), Getúlio Moura; Benito Maia Barros; João de Aquino (é também museólogo); Sebastião Maia (Tião Maia); Horácio Paiva, Daniel Násser, nascido em Macau e criado na comunidade litorânea de Diogo Lopes ( romances de realismo fantástico) e muitos outros.


sexta-feira, 22 de junho de 2012

Macau por Edinor Avelino

Moinho de sal de Macau

Macau




Edinor Avelino

A minha terra, calma e boa, trago-a nas cismas de saudade em que ando atento,
contemplando-a com os olhos cheios d'água.
nos grandes vôos do meu pensamento.
É das mais ricas terras pequeninas.

Apraz-me repetir, quando converso;
possui alvas e esplêndidas salinas,
as melhores salinas do universo.




Edinor Avelino foi jornalista, colaborou em diversos jornais da capital ("A Imprensa", "A República", "A Opinião" e "Democrata") e em outros do interior: "Folha Nova" (Macau), "A Cidade" (Açu), "O mossoroense" (Mossoró).


Fonte: http://macauemdia.blogspot.com.br/2011/02/um-poema-de-edinor-avelino.html

Gilberto Avelino


Por Fernando Caldas


GILBERTO AVELINO

Gilberto Avelino (1928 - ) era natural de Assu. Mas a sua terra amada era Macau, importante cidade do litoral potiguar, onde chegou ainda menino novo, em companhia de seus pais. Herdara do seu genitor Edinor Avelino, o dom da poesia. Gilberto era brilhante orador e advogado, poeta lírico, prosador. Sobre a terra macauense, onde ele radicou-se, escreveu numa feliz inspiração: "Esta é a terra que amo. De rio em preamar, sereno, onde entre ferrugens e sombras, descansam âncoras, e navegam fantasmas de barcos cinzentos." Ele era membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte e da Academia Norte-riograndense de Letras, cadeira número 35 (que tem como patrono o poeta Juvenal Antunes), substituindo seu pai. O poeta Avelino (por que não catalogá-lo também como bardo assuense?) estreou nas letras potiguares na década de setenta, publicando o livro sob o título "Moinho e O Vento", 1977. Ele é da geração dos poetas Berilo Wanderley, Zila Mamede, Celso da Silveira, dentre outros. Publicou também os livros intitulados "O Navegador e o Sextante", 1980, "Os Pontos Cardeais", 1982, "Elegias do Mar Aceso em Lua", 1984, "O Vento Leste", 1986, "Além das Salina", 1990 e "As Marés e a Ilha", 1995. Deu a sua colaboração em diversos jornais de Natal e do Recife, como Diário de Pernambuco. Formou-se em direito pela Faculdade de Direito de Alagoas, em 1955. No seu livro Os Pontos Cardeais, transcrevo abaixo o poema intitulado "A Ilha e a Lenda", que diz assim:


Aos ventos da foz do rio Açu erguida,
e tendo o nome do seu sesmeiro
Manuel Gonçalves, resistia a ilha -
flor sangrando em meio às marés

altas de sizígia. O mar vinha em espumas
de fogo, e levava, em velozes carrocéis,
pedaço por pedaço do seu chão salgado,
e ante o qual, por amplo tempo, brando

cantara. Luminosas cicatrizes refloresciam
na carne dos seus pacíficos moradores
(pescadores e salineiros). E lhes doía
a última visão - sol em sossego do poente,

que se apagava das casas e pequenas ruas,
onde ressoavam ainda os seus longos
passos. O mar, incandescendo-se de azuis,
a ilha escondeu entre ondas

ardentes e porões abissais que construíra.
Em noites de lua de agosto, quando
o mar reveste-se de brancos algodoais,
os pescadores escutam cantos de sino

que vêm da capelinha insepulta,
e identificam a voz -
tão leve, bela e pura,
da virgem da Conceição falando às águas.


Fonte: 
http://blogdofernandocaldas.blogspot.com.br/2009/08/gilberto-avelino.html 

A cobiça estrangeira na Ilha de Manoel Gonçalves em 1818

AD, ? 1940/50, Barcaça Salinas do Lloyd Brasileiro, arquivo AD



João Felipe da Trindade 
(jfhipotenusa@gmail.com 
Professor de Matemática da UFRN e membro do INRG)//


Manoel Rodrigues de Melo escreveu na Revista Bando um artigo, intitulado O Saque da Ilha de Manoel Gonçalves, baseado no livroDocumentos do Arquivo – Presidentes de Províncias (1818) – editado pela Secretaria de Interior e Justiça de Pernambuco no ano de 1943. Quando estive em Recife, recentemente, fiz imagens de tais documentos, entre eles as duas correspondências emitidas da Ilha de Manoel Gonçalves que transcrevo aqui.
Claudio Guerra, 2010, Barreiras, arquivo o bau de macau
A primeira é uma carta do Comandante do Degredo da Ilha de Manoel Gonçalves, Alexandre José Pereira, para o Capitão Manoel Varella Barca, carta esta copiada pelo Padre Manoel Pinto de Castro que servia de Secretário do Governo da Província do Rio Grande.
Ilustríssimo Senhor Capitão Manoel Varella Barca//Ilha de Manoel Gonçalves, 13 de Dezembro de 1818//.
Dou parte a Vossa Mercê que ontem, treze de Dezembro do corrente, às onze horas do dia, deu fundo fora da Barra do Amargozo um Corsário de ladrões estrangeiros armado em guerra, com muito armamento, e entraram nos seus lanchões de tarde dentro do Rio, e roubaram cinco Sumacas, e conduziram tudo para seu bordo, e ainda se acha ancorado no mesmo lugar, e penso ser com intenção de virem saquear, e roubar a terra; aqui se acham alguns homens, mas sem armas, e creio que tudo se acabará, aqui já se acham pelo que diz seis feridos com tiros que fizeram para terra, e a mais da gente desta praia vejo esmorecidos, e eu pior que nenhum, pois me acho doente para morrer, Vossa Mercê mandará o que for servido// Deus Guarde a Vossa Mercê por muitos anos// De Vossa Mercê atento súdito// Alexandre José Pereira// Comandante deste Degredo Ilha de Manoel Gonçalves.
Entre as cartas do nosso Governador para o da Província de Pernambuco, Luis do Rego Barreto, há uma, datada de 31 de Dezembro de 1818, onde ele escreve: Entre as diferentes partes que tive sobre este objeto, a que me parece mais correta, e circunstanciada, foi a de um morador da Ilha de Manoel Gonçalves correspondente de Bento Joze da Costa, que por isso a ofereço na Cópia N1 para com ela informar a Vossa Excelência do que se passou no Assu.
N1. Ilustríssimo Senhor Governador Joze Ignacio Borges.
Participo a Vossa Senhoria, que no dia 12 do corrente, pelas onze horas da manhã, apareceu, três léguas a Leste desta Ilha à popa, uma Escuna com um sinal, ou bandeira estranha no mastro de proa e veio fundiar defronte da Barra do Amargozo a barlavento da Sumaca Santa Rita Galatéa de Pernambuco, que se achava fora acabando de carregar de peixe de vários negociantes destas praias, e logo que fundiou, mandou o Comandante desta a bordo uma jangada com três homens saber o que queriam, disseram, que refresco de aguada, e mantimento, que aquela embarcação era Inglesa, e de guerra.
Os ditos jangadeiros viram muito armamento, gente de toda a nação; imediatamente que largou de bordo a dita jangada, largaram eles três escaleres, ficando um a bordo da dita Sumaca Santa Ritta, e dois entraram na Barra do Amargozo, e achando-se ancoradas naquele Rio, com distancia uma das outras, quatro embarcações, a saber, o Penha, e Victoria de Pernambuco, Conceição, e Almas da Paraíba, e Flor do Mar de Goiana, e atracando o primeiro escaler a bordo do Penha, armados tomaram conta da embarcação, e o segundo seguiu de rio acima, e atracando no último vazo também armados, principiaram a roubar dinheiro, roupa, maçame, e escravos, e da mesma forma continuaram nas mais embarcações até chegarem de regresso na Penha, e incorporando-se com os que estavam já de posse da Sumaca, meteram os oficiais, e a Campanha no Castelo, e continuaram o saque, estando em terras no Pontal do Amargozo os passageiros que tinham vindo no Penha, e moradores; entraram-lhe a fazer fogo de bordo, ferindo de bala quatro dos moradores, a fim de melhor conduzirem o saque nos escaleres, e na lancha do Victoria, que levaram com seis escravos do Penha e Victoria, três homens forros, tudo feito na tarde que ancorou.
Imediatamente que soube nesta Ilha fui com dez homens daqui por terra mais de uma légua, tomando em caminho seis do Lagamar, e chegando já de noite, tinham saído.
Claudio Guerra, 2010, Barreiras, arquivo o bau de macau
No dia 16 pelas quatro horas da tarde, estando parte dos habitantes desta, e de Guamaré juntos de guarnição à Ilha, viram entrar na Barra do Amargozo o escaler grande carregado de gente, e tornando a abordar as Embarcações á conduzir o resto do que ainda lhe faltava, e pegando a lancha da Sumaca Conceição e Alma saíram.
No dia 17 pelas duas horas da tarde mandaram para terra a dita lancha pelos marinheiros forros que lá tinha das Sumacas, e um passageiro carregador de peixe no Santa Ritta, e o Contramestre da mesma, e mandaram dizer ao Comandante que lhes mandasse um Prático para os botar fora da Ponta Gorda, que queria ir pelo canal, e se o não fizesse até as quatro horas da manhã, que havia mandar atacar esta Ilha, e tocar fogo nas casas, e nas Sumacas, porém destas ameaças caso nenhum se fez.
No dia 18 de manhã se viu velejar a Escuna para barlavento. Contam os marinheiros que lhes ouviram dizer que iam para America Espanhola, e que ainda haverão de andar três meses fora, e que iam esperar os navios que haviam saído de Lisboa para o Brasil, e Índia, e que a gente que traz são noventas e oito pessoas, e que já tinham feito três presas, que as tinham mandado para America Inglesa de onde tinham saído cento e tantas velas. A fortificação que traz são seis peças por banda de 12, e uma na proa de rodízio de 18; este malvados vão de Costa acima esperar as embarcações que navegam na costa do Sertão até o Maranhão, e Pará.
Eu tenho aviso de Pernambuco do coronel Bento Joze da Costa, que nas águas próximas da lua nova despedia para esta a Sumaca Xica, e em Janeiro o Brigue São Manoel
Deus Guarde a Vossa Senhoria, Ilha de Manoel Gonçalves, 18 de Dezembro de 1818. João Martins Ferreira.

O Forte da Ilha de Manoel Gonçalves


AD, 1998, Litoral de Macau, arquivo desconhecido
Forte da ilha de Manoel Gonçalves localizava-se na desaparecida Ilha de Manoel Gonçalves, na barra do rio Açu, atual cidade de Macau, no litoral do estado do Rio Grande do Norte, no Brasil. História:No contexto da Guerra Peninsular na Europa, pelo Aviso de 7 de outubro de 1807 a Coroa Portuguesa solicitou ao Governador da Capitania do Rio Grande do Norte, Tenente-coronel Jose Francisco de Paula Cavalcanti de Albuquerque, informações do que convinha fazer para a defesa daquela Capitania. A resposta, em um detalhado Memorial (“Memória relativa à defesa da Capitania do Rio Grande do Norte (…)”, pelo seu Governador Francisco José de Paula Cavalcanti de Albuquerque, datada de 30 de Maio de 1808), converteu-se em diversas fortificações ligeiras, erguidas no ano seguinte (1808), concomitantes com a chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil. Forte de Manuel Gonçalves foi uma dessas fortificações (SOUZA, 1885:77). De pequenas dimensões, possívelmente uma simples bateira destinava-se à defesa daquela enseada. O mesmo autor refere que estava desarmada de há muito, e certamente arruinada (op. cit., p. 77), restando vestígios de muralhamento na boca do rio Assu (op. cit., p. 36). GARRIDO (1940) cita Luis da Câmara Cascudo, que contesta a existência deste forte, uma vez que: a ilha havia desaparecido anteriormente a 1840, e os seus habitantes mudado para terra firme, onde atualmente é Macau; dada a insignificância demográfica e estratégica da ilha e não tendo sobrevivido nem na tradição oral (op. cit., p. 47). Efetivamente este forte não se encontra citado no referido memorial.
Bibliografia
  • BARRETO, Aníbal (Cel.). Fortificações no Brasil (Resumo Histórico). Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Editora, 1958. 368 p.
  • GARRIDO, Carlos Miguez. Fortificações do Brasil. Separata do Vol. III dos Subsídios para a História Marítima do Brasil. Rio de Janeiro: Imprensa Naval, 1940.
  • SOUSA, Augusto Fausto de. Fortificações no Brazil. RIHGB. Rio de Janeiro: Tomo XLVIII, Parte II, 1885. p. 5-140.
Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre. Pesquisa de João Vicente Guimarães.
Na obra Um Rio Grande e Macau, o escritor Getúlio Moura destaca na página 118 o ataque corsário e o fortim da Ilha de Manoel Gonçalves, anotando que o pesquisador Câmara Cascudo descobriu nos Documentos do Arquivo da Secretaria do Governo de Pernambuco ofícios que comprovaram a existência do forte.